‘Remédio não é de direita e nem de esquerda, é para salvar vidas’, diz Rui Costa

Durante um pronunciamento pelas redes sociais na noite desta quinta-feira (9), o governador Rui Costa falou sobre o uso do medicamento hidroxicloroquina, que vem sendo amplamente divulgado pelo presidente Jair Bolsonaro como uma alternativa ao tratamento contra a covid-19, a doença causada pelo coronavírus. Nesta quarta, a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) autorizou o uso do remédio administrado junto com azitromicina para o tratamento de pacientes contaminados pelo novo vírus.

“Não sou médico. Acho que o país entrou numa fase, nesse período de um ano e pouco, sendo citado com exemplos negativos no exterior e agora volta a aparecer com notícia negativa porque o uso do remédio virou uma questão ideológica, partidária. Eu me nego a esse papel. Remédio não tem partido, não é de direita e nem de esquerda, é para salvar vidas humanas”, declarou o governador.

Rui Costa acrescentou que o estado montou um conselho científico do Nordeste, formado por médicos e pesquisadores das mais diversas áreas para acompanhar em todo o mundo o desenvolvimento de protocolos de atendimento aos infectados por coronavírus. 

“Quem tem que opinar sobre o que deve ser aplicado são os cientistas. A Bahia está disponibilizando remédios apontados pelo conselho científico. Ainda não há um consenso sobre os medicamentos que dão mais resultado. Quem vai dar a decisão sobre o que o seu filho, o seu pai vai usar não é o governador, nem o prefeito, muito menos o presidente da República”, finalizou.

Uso do medicamento na Bahia

A liberação do uso da hidroxicloroquina na Bahia para o tratamento da covid-19 é mediante prescrição médica e associação com a azitromicina.  A deliberação ocorreu durante reunião da comissão científica criada pela Sesab para analisar as evidências científicas envolvendo a doença.

De acordo com o secretário de Saúde do estado, Fábio Vilas-Boas, que preside a comissão, “a recomendação é que os pacientes hospitalizados recebam os medicamentos o mais precocemente possível após a internação”, disse, apontando, ainda, que o estado tem estoque suficiente para atender até 50 mil pacientes.

Já o infectologista e presidente do Comitê Estadual de Combate ao Coronavírus, Antônio Bandeira, destaca que “outras alternativas terapêuticas também serão disponibilizadas para emprego no tratamento de pacientes hospitalizados, tais como Ivermectina e Tocilizumabe”.

O pesquisador e infectologista Roberto Badaró, integrante do Comitê Científico do Consórcio Nordeste e diretor do Instituto de Ciências da Saúde do Cimatec, explica como funciona a adoção de protocolos.

“Há uma evolução muito grande nos modos de tratamento, visto que é uma doença nova e estamos aprendendo como realmente é a epidemia. Os especialistas procuram organizar protocolos de tratamento para não prejudicar os pacientes com remédios experimentais, nem com tentativas desesperadoras de salvar o paciente. Mas a experiência já acumulada nos direciona pra saber quem deve tomar hidroxicloroquina, quem não deve, quem deve ficar em casa e quem deve ser hospitalizado e tratado o mais precocemente possível. E isso só consegue ser ordenado se fizermos esses protocolos. E eles são feitos por quem tem experiência e responsabilidade com a saúde pública”, detalhou o médico.

Participam também do comitê técnico-científico, a subsecretária da Saúde, Tereza Paim, o diretor geral de Gestão das Unidades Próprias, Igor Lobão, a infectologista e diretora geral do Instituto Couto Maia, Ceuci Nunes, o pneumologista Sérgio Jezler e o superintendente de Assistência Farmacêutica, Ciência e Tecnologia em Saúde, Luiz Henrique d’Utra.

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