Saudade: marcas e carros que deixaram o Brasil e continuam em linha no exterior

A Renault não oferece o Clio no Brasil desde 2016, mas na Europa o hatch continua sendo vendido

O Corsa já foi um dos modelos mais vendidos do Brasil. Houve até um período em que era cobrado caro pelo hatch. No mercado nacional ele era comercializado pela Chevrolet, marca que pertence a General Motors, que na época controlava a alemã Opel, empresa que desenvolveu o veículo. Hoje, a Opel pertence à PSA, holding que controla também Peugeot e Citroën, mas antes disso a Chevrolet já havia tomado a decisão de desenvolver outro produto para o mercado nacional, o Onix. Apesar de ter dito adeus ao mercado brasileiro, na Europa, o Corsa continua em linha. Ele não é o único modelo ou marca que passou por aqui e deixou saudades, seguindo apenas em mercados estrangeiros.

Outros modelos que já foram produzidos no Brasil continuam fazendo sucesso no exterior, como os Renault Clio, Megane e Scenic. O Fiesta, que chegou a ser feito na Bahia, e o Focus, que era fabricado na Argentina, saíram de linha na América do Sul, mas continuam sendo oferecidos na Europa. É o caso também do Volkswagen Golf, que até ano passado era produzido no Paraná.

Atualmente, com exceção do Kwid, a Renault produz diversos modelos que são montados sobre uma mesma plataforma. Essa base é oriunda da Dacia, uma empresa que faz parte do mesmo grupo, e nela são montados Captur, Duster, Duster Oroch, Logan e Sandero. O Megane, que já foi fabricado no país nas carrocerias sedã e perua, chegou a ser cogitado para voltar na configuração esportiva RS, mas a desvalorização do Real em relação ao Euro atrapalhou os planos.

No caso da Ford, a estratégia da empresa para a região mudou. O foco agora são picapes e SUVs. O último sedã que a marca oferecia no país era o Fusion, que chegava importado do México. No seu lugar ficará o SUV Territory, que chegará às concessionárias no segundo semestre. Outros dois utilitários esportivos de portes distintos serão produzidos em Camaçari. Está nos planos também a importação da configuração híbrida plug-in do Escape e da nova geração do Bronco. Outro modelo cotado para o país é o Mustang Mach-E, um SUV elétrico.

Em 2012 e 2013, o Veloster fazia sucesso no Brasil com sua carroceria coupé e três portas. Mas a Caoa, importador oficial da Hyundai no país, deixou de trazer o esportivo. Outros modelos que faziam parte do portfólio deixaram de ser oferecidos no mercado nacional, como i30, Elantra (que até já foi montado no país) e Sonata.

Em outra marca sul-coerana, a Kia, a baixa é o subcompacto Picanto. O modelo, que é conhecido como Morning em outras regiões, foi comercializado por alguns anos no Brasil e deixou de ser importado pelo Grupo Gandini, que representa a Kia no país.

Na Fiat Chrysler Automobiles, deixaram saudade o Fiat 500, que deverá voltar com motor elétrico, e o Jeep Cherokee, SUV que é produzido nos Estados Unidos e é oferecido em outros mercados da América Latina.

A japonesa Nissan também tirou alguns modelos do catálogo brasileiro, como o sedã Altima, que concorria com Honda Accord e Toyota Camry, e os SUVs Murano, Pathfinder e X-Trail, esse último poderá voltar em breve ao país.

Deram tchau ao Brasil

Enquanto algumas empresas deixaram de importar ou produzir localmente, outras foram embora de vez. A lista inclui marcas de várias nacionalidades: a italiana Alfa Romeo, a britânica Aston Martin, as japonesas Daihatsu e Mazda, a chinesa Geely, a russa Lada e a espanhola Seat passaram pelo país e foram embora. 

A maioria dessas fabricantes chegou ao Brasil na reabertura do mercado, no começo dos anos 1990, quando o então presidente Fernando Collor declarou que só haviam carroças no Brasil.

Mas uma das primeiras marcas a desembarcar não tinha grandes atrações tecnológicas, a Lada. O Niva, um SUV que foi criado em 1977 e que pouco mudou até hoje, foi um dos primeiros modelos a desembarcar por aqui após a abertura das importações – que ficaram proibidas por 14 anos. Os planos eram ambiciosos vender cerca de 55 mil unidades por ano, o que representava 6% do mercado. Apesar do projeto antigo, os carros – havia ainda o hatch Samara e o Laika sedã e perua – eram uma grande novidade e, principalmente, custavam o mesmo que um VW Gol, então líder de vendas.

O vetetano Niva, da marca russa Lada, já foi comercializado no Brasil na década de 1990 (Foto: Lada)

No primeiro ano, foram emplacadas 15.129 unidades. O número caiu para 4.552 no ano seguinte e manteve o patamar em 1993. Com o passar dos anos, a indústria nacional se aprimorou e outras marcas chegaram. Os aumentos nos impostos e a falta de planejamento na pós-venda deixaram a Lada sem competitividade. Em 2000, a marca deixou o Brasil.

A Mazda chegou com força ao Brasil e sua linha incluía de esportivos como o MX-3 até picapes, como a B-2500. Ficou até 2000,  até que a Ford influenciou em sua saída do mercado, pois era acionista da empresa e seus produtos eram concorrentes. Nessa época, a Ford controlava outras empresas, como Land Rover e Volvo, mas os veículos não eram conflitantes.

Em dezembro de 2010, a Mazda anunciou o seu retorno ao Brasil e aos principais países emergentes, como a Índia, para cumprir a meta de venda de 2 milhões de veículos no mundo. O plano não foi adiante.

A japonesa Mazda atuou no Brasil por uma década e deixou o país em 2000 (Foto: Mazda)

Outra empresa japonesa, a Daihatsu colocou à disposição dos brasileiros modelos como Charade, Feroza e Terios. A atuação da marca no país foi curta, de 1994 a 1999. Desde 1999, a Toyota tem 51,2% das ações da Daihatsu.

A Daihatsu, que atualmente pertence a Toyota, esteve no Brasil na reabertura das importações (Foto: Daihatsu)

A Seat, marca que pertence ao Grupo Volkswagen, trouxe para o país o Cordoba, nas configurações sedã e perua, o hatch Ibiza e a van Inca. A vantagem é que muitos componentes eram compartilhados com os Volkswagens, o motor 1.8 litro do Cordoba era o mesmo do Golf GL, que vinha da Alemanha. Nos anos 2000, o aumento de impostos tornou o negócio inviável.

A Seat, marca do Grupo Volkswagen, ofereceu no Brasil modelos como Ibiza e Cordoba (Foto: Seat)

A Alfa Romeo surgiu em 1910, em Milão, no norte da Itália. Até 1974, todos os seus modelos foram produzidos no país natal, até a chegada do 2300, que foi montado no Brasil. A produção nacional seguiu por 12 anos.  Depois disso, a marca voltou na reabertura do mercado, já sob o comando da Fiat. No entanto, em 2003 deixou novamente o país.

Os veículos da italiana Alfa Romeo deixaram de chegar ao país em 2003 (Foto: FCA)

Outras marcas tiveram vida mais curta no mercado nacional, como a Geely. A empresa chinesa, que é atual proprietária da Volvo Cars, ofereceu dois carros (um subcompacto e um hatch médio) no país entre 2014 e 2015.

O GC2, um dos dois modelos da Geely que foram oferecidos no mercado brasileiro (Foto: Geely)

A Aston Martin foi uma das últimas a se despedir do mercado nacional. Depois de vender apenas dois carros em 2016, a marca britânica saiu do país oficialmente em fevereiro de 2017. A concessão era do Grupo SHC, que é dirigido por Sergio Habib e também traz os modelos da JAC Motors ao país. Atualmente, a empresa de Habib, que já comercializou Citroën, entre outras marcas, está em recuperação judicial.

A Aston Martin deixou de ser importada oficialmente para o país em 2017 (Foto: Aston Martin)

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