‘Muitos não puderam vir e não posso receber abraços’, diz filha de idoso morto em assalto

Além da perda do pai, a filha Taíse Silva Lima ainda tem que conviver com outras dores, como enterrar seu pai sem a presença de todos os filhos e até mesmo receber um abraço dos amigos e familiares. O advogado aposentado Claudinei de Silva Lima, 71 anos, foi vítima de latrocínio – roubo seguido de morte -, na noite da última segunda-feira (4), em um ponto de ônibus no Garcia. Ele foi baleado após reagir quando os bandidos pegaram o seu celular.

“É muito triste ter que me despedir do meu pai nesse período. Muitos familiares não puderam vir e não posso receber abraços ou gestos de carinho que fazem tanta diferença”, desabafou. O velório aconteceu na igreja evangélica que Claudinei morava, a Associação Apostólica de Salvador, localizada na rua Rua Martin Francisco, no Garcia. Ela fica a poucos metros do ponto de ônibus onde o idoso estava quando foi vítima do latrocínio. 

Foto: Acervo familiar

“Estamos fazendo tudo com pouquíssimas pessoas, só os mais próximos. E todos estão usando máscara e álcool em gel”, destacou Taise. Dos cinco filhos de Claudinei, só dois puderam participar do momento de despedida, pois os outros moram em São Paulo e não puderam vir. O sepultamento vai acontecer às 10h, no cemitério da Ordem Terceira de São Francisco.  

Um homem de fé, alegre e “com espírito de jovem”. É assim que Taíse vai lembrar do seu pai. Divorciado, pai de cinco filhos e com dois netos, a vítima escolheu passar os últimos dias da sua vida na igreja. A família conta que, depois que se separou e cada filho tomou seu rumo, ele morava sozinho. Mas, após sofrer um infarto em 2006 foi morar com uma irmã.

“Só que ele gostava muito da igreja e manifestou o desejo de ir morar lá”, recorda a sobrinha Fernanda Xavier, 41 anos. Claudinei era advogado e corretor de imóveis, mas estava aposentado e dedicava a sua vida a cuidar voluntariamente da estrutura da igreja. “Quando ele me disse que ia morar lá, eu achei estranho, mas ele realmente gostava dos irmãos, do ambiente. Então vi que ele se sentia bem”, lembra Taíse.

O CORREIO esteve no local do crime na terça-feira e procurou a igreja que Claudinei frequentava. Lá,  José Paulo, 66, que também vive no local, ainda não sabia do óbito, nem mesmo os outros membros da comunidade. “Se não fosse pelo CORREIO, estaríamos até hoje procurando meu tio. Quando o pessoal da igreja foi avisado, eles nos informaram e fizemos todo o procedimento necessário”, explicou Fernanda.

“Hoje, a única coisa que a gente quer é que o crime seja investigado. Pois é muito triste ter que perder meu tio dessa maneira. Fizeram isso com um homem bom, que não falava mal de ninguém e semeava bondade para a humanidade. Nós queremos justiça!”, disse Fernanda. 

Em nota, a Policia Civil informou que o Departamento de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP) vai investigar o latrocínio. “Equipes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) realizaram os levantamentos iniciais. Conforme informações preliminares, o autor estava em um veículo e atirou após tentar roubar o celular da vítima”, diz a nota.

*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro